Na solenidade da Santíssima Trindade, na República de San Marino, foi naturalmente sobre este mistério central da nossa fé que Bento XVI centrou a sua homilia, sublinhando que se trata de uma realidade de dom recíproco e de amor:
“A liturgia de hoje atrai a nossa atenção não tanto sobre o mistério, mas sobre a realidade de amor contida neste primeiro e supremo mistério da nossa fé. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um, porque Deus é amor, o amor é força vivificante, absoluta: o Pai dá tudo ao Filho; o Filho recebe tudo do Pai com reconhecimento; e o Espírito Santo é como que o fruto deste amor recíproco do Pai e do Filho”.
No decorrer das leituras da Santa Missa vemos as revelações deste amor misericordioso quando no livro Êxodo "tudo parece perdido, a amizade quebrada” pelo “gravíssimo pecado do povo, Deus, por intercessão de Moisés, decide perdoar”, fazendo-o receber de novo a sua Lei, os 10 Mandamentos.
O Evangelho completa esta revelação, mostrando até que ponto Deus mostrou a sua misericórdia. Como diz Jesus: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça , mas tenha a vida eterna”.No mundo existe o mal, o egoísmo, a maldade. Mas Deus não vem a julgar e a condenar. Em vez de castigar e destruir, Deus mostra o seu amor pelo mundo, o seu amor ao homem, enviando-lhe o que tem de mais precioso, o Filho unigénito. Jesus é o Filho que nasceu para nós, que viveu para nós, curou os doentes, perdoou os pecados, a todos acolhendo.
Respondendo ao amor do Pai, o Filho doou a sua própria vida por nós: na cruz, o amor misericordioso de Deus atinge o ponto culminante:
“no mistério da cruz, estão presentes as três Pessoas divinas: o Pai, que doa o seu Filho unigénito, para a salvação do mundo; o Filho , que realiza plenamente o desígnio do Pai; o Espírito Santo – derramado por Jesus no momento da morte – que vem a tornar-nos participantes da vida divina, a transformar a nossa existência, para que seja animada pelo amor divino”.
Na parte final da homilia, o Santo Padre deteve-se mais concretamente na realidade local da república e diocese de São Marino, com a história da sua evangelização.
Admitindo com apreço o facto de tantos habitantes de São Marino reconhecerem a ação do Espírito Santo na sua Igreja local, Bento XVI exortou-os a desenvolverem este tesouro, pois “o modo melhor de apreciar uma herança é cultivá-la e incrementá-la:
“Sois chamados a desenvolver este precioso depósito num momento dos mais decisivos da história. Hoje, a vossa missão vê-se confrontada com profundas e rápidas transformações culturais, sociais, económicas, políticas, que determinaram novas orientações e modificaram mentalidades, costumes e sensibilidade”.
Contudo, foi com um apelo aos sanmarinenses que o Papa concluiu a homilia:
“Permanecei firmemente fiéis ao património construído ao longo dos séculos sob o impulso dos vossos grandes Patronos, Marino e Leão. Invoco a bênção de Deus sobre o vosso caminho de hoje e de amanhã e a todos vós recomendo “à graça do Senhor Jesus Cristo, ao amor de Deus e à comunhão do Espírito Santo”.
Fonte:http://www.radiovaticana.org/por/Articolo.asp?c=497443
