A liturgia deste domingo propõe duas breves parábolas de Jesus: a da semente que cresce sozinha e a do grão de mostarda. Através de imagens extraídas do mundo da agricultura, o Senhor apresenta o mistério da Palavra e do Reino de Deus, e indica as razões da nossa esperança e do nosso empenho.
Na primeira parábola, a atenção é colocada no dinamismo da semeadura: a semente que é jogada na terra, seja que o agricultor durma ou não, germina e cresce sozinha. Esta parábola evoca o mistério da criação e da redenção, da obra fecunda de Deus na história. É Ele o Senhor do Reino, o homem é o seu humilde colaborador, que contempla e exulta com a ação criadora divina e aguarda com paciência os seus frutos. O tempo presente é tempo para semear, e o crescimento da semente é garantido pelo Senhor. Todo cristão, então, sabe bem que deve fazer tudo o que puder, mas que o resultado final depende de Deus: essa consciência o sustenta nas dificuldades de cada dia, especialmente nas situações difíceis.
Também a segunda parábola utiliza a imagem da semeadura. Aqui, porém, se trata de uma semente específica, o grão de mostarda, considerado a menor de todas as sementes. Mesmo assim minúsculo, porém, este grão é repleto de vida, do seu partir nasce um broto capaz de romper o terreno, de sair à luz do sol e de crescer até se tornar “a maior de todas as hortaliças da horta»: a fraqueza é a força da semente, o partir-se é a sua potência.
Assim é o Reino de Deus: uma realidade humanamente pequena, composta por quem é pobre no coração, por quem não confia na própria força, mas na força do amor de Deus, por quem não é importante aos olhos do mundo; e mesmo assim, justamente através deles irrompe a força de Cristo e transforma o que é aparentemente insignificante.
A imagem da semente é particularmente importante para Jesus, porque expressa bem o mistério do Reino de Deus. Nas duas parábolas de hoje, ela representa um «crescimento» e um «contraste»: o crescimento que acontece graças a um dinamismo presente na própria semente, e o contraste que existe entre a pequenez da semente e a grandeza daquilo que produz. A mensagem é clara: o Reino de Deus, mesmo que exija a nossa colaboração, é antes de tudo dom do Senhor, graça que precede o homem e as suas obras.
É o milagre do amor de Deus, que faz brotar e crescer toda semente de bem espalhada sobre a terra. E a experiência deste milagre de amor faz com que sejamos otimistas, apesar das dificuldades, dos sofrimentos e do mal que encontramos. Que Nossa Senhora, que acolheu como «terra boa» a semente da Palavra divina, reforce em nós esta fé e esta esperança.
Fonte: Rádio Vaticana - http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=597314